domingo, 29 de maio de 2016

MEMÓRIA DESCRITIVA #3

No âmbito da Unidade Curricular Design e Comunicação Visual foi desenvolvido o projeto que aqui é descrito – a elaboração de uma infografia. À partida, o único contacto que havia tido com infografias havia sido através de cartazes na rua e internet. É um tipo de representação visual gráfica que facilita a compreensão de um determinado conteúdo, através da associação de texto com representações figurativas e/ou sistemáticas “las infografías son ilustraciones o series de ilustraciones que explican la situación o sucesión de hechos a los que se refiere "la nota". Añaden que están complementadas por datos informativos o referenciales básicos”, dizem Sibila Camps y Luis Pazos (1996: 161).

Para esta proposta queria selecionar um tema com impacto social. Assim, a escolha passou pela atividade tauromáquica, nomeadamente, pela sua queda nos últimos tempos em Portugal. Este tema revelou-se difícil. À semelhança do que acontece com as greves, por exemplo, os dados estatísticos não batem certo: de um lado, os dados oficiais das entidades que promovem as touradas, de outro lado, os dados das inúmeras associações que contestam a realização destes "espetáculos". Ao mesmo tempo, há dados completamente desconhecidos - ficou por saber o valor financeiro investido nesta atividade. Terminada a recolha de informação, as fontes essenciais para o desenvolvimento deste projeto foram: Inspeção Geral das Atividades Culturais (Relatório da Atividade Tauromáquica de 2015) e alguns artigos do jornal Público.


Selecionada a informação necessária, era preciso organizá-la de forma inteligente e visualmente agradável. Como elemento essencial da infografia, queria ter um touro que, à partida, atrairia todos os interessados pelo tema à leitura da restante informação. Assim, a escolha foi usar a técnica low poli – usada anteriormente na proposta número um; aqui, o desenho não foi contruído apenas com triângulos, mas com outras formas geométricas, através da ferramenta pen tool no Adobe Illustrator. Outro elemento que teria muita importância na infografia seria o título “Queda da tradição tauromáquica em Portugal”. Foi escrito com a fonte Giant Background, pelo impacto que lhe está, a meu ver, associado. Abaixo do título, foi incluído um pequeno texto quase com a função de lead, com o objetivo de introduzir a restante informação.

A informação propriamente dita foi inserida em pequenos círculos, cujo tamanho dita a sua importância. Com esta lógica, foram desenhados três círculos maiores e dois círculos menores, associados a um dos círculos grandes. Para complementar esta informação, foi incluído um mapa de Portugal, com as ilhas, de que iriam depender dois círculos. O mapa tem como objetivo indicar as cidades portuguesas que deixaram de financiar a atividade tauromáquica, tendo reduzido, portanto, a probabilidade de continuarem os espetáculos, mas também indicar que, nos Açores, o Bloco de Esquerda sugeriu a proibição de espetáculos que impliquem o sofrimento e/ou morte de animais. Esta associação foi estabelecida através de uma seta, que guia o leitor a observar o mapa depois de ler a informação ou vice-versa. Os restantes círculos têm uma seta para o touro. Esta foi a forma mais simples e eficaz de organizar visualmente a informação disponível.

Parece-me que todos os elementos foram integrados e relacionados de forma inteligente e visualmente agradável. O principal receio aquando da realização desta proposta era a existência de demasiada informação e demasiados elementos gráficos que dificultassem a compreensão por parte do leitor – este receio surgiu aquando da recolha de infografias, sendo que, muitas delas se apresentavam, efetivamente, confusas.

A elaboração desta composição gráfica foi simples em relação às propostas anteriores, sendo que o maior desafio era a inclusão e organização da informação.

A maior parte do tempo de elaboração desta proposta foi dedicado à recolha de informação que, como referido anteriormente, se revelou um processo difícil pela natureza do tema escolhido. O Relatório de Atividades Tauromáquicas de 2015 implicou uma análise profunda e demorada, sendo que a diminuição de espetadores, por exemplo, não era evidenciada. Só uma análise cuidada permitiu chegar a essas conclusões. Por outro lado, a informação disponibilizada pelo jornal Público era muito clara e objetiva.

O aspeto mais positivo desta proposta é a perceção de que a infografia é muito útil no trabalho jornalístico, essencialmente, no jornalismo online. No entanto, durante a realização desta proposta, encontrei algumas infografias em jornais. No fundo, é uma forma muito eficaz para que a informação chegue a um maior número de pessoas.

Nesta proposta uma dificuldade presente foi a necessidade de manter a objetividade e imparcialidade, sendo que não gosto destes “espetáculos”, nem do sofrimento aos animais que lhes estão subjacentes. Penso que, ainda assim, consegui distanciar-me e deixar que os dados falassem por si.

Posso dizer que estou satisfeita com a minha terceira e última proposta. Pretendia criar uma infografia dinâmica e atual, característica do século XXI. Inicialmente, tive alguma dificuldade nesse sentido: a informação parecia-me estática. O resultado foi uma composição diferente do habitual, mais simples até, mas que me agrada e que se adequa ao tema escolhido. 

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