domingo, 29 de maio de 2016

A MINHA INFOGRAFIA #3


MEMÓRIA DESCRITIVA #3

No âmbito da Unidade Curricular Design e Comunicação Visual foi desenvolvido o projeto que aqui é descrito – a elaboração de uma infografia. À partida, o único contacto que havia tido com infografias havia sido através de cartazes na rua e internet. É um tipo de representação visual gráfica que facilita a compreensão de um determinado conteúdo, através da associação de texto com representações figurativas e/ou sistemáticas “las infografías son ilustraciones o series de ilustraciones que explican la situación o sucesión de hechos a los que se refiere "la nota". Añaden que están complementadas por datos informativos o referenciales básicos”, dizem Sibila Camps y Luis Pazos (1996: 161).

Para esta proposta queria selecionar um tema com impacto social. Assim, a escolha passou pela atividade tauromáquica, nomeadamente, pela sua queda nos últimos tempos em Portugal. Este tema revelou-se difícil. À semelhança do que acontece com as greves, por exemplo, os dados estatísticos não batem certo: de um lado, os dados oficiais das entidades que promovem as touradas, de outro lado, os dados das inúmeras associações que contestam a realização destes "espetáculos". Ao mesmo tempo, há dados completamente desconhecidos - ficou por saber o valor financeiro investido nesta atividade. Terminada a recolha de informação, as fontes essenciais para o desenvolvimento deste projeto foram: Inspeção Geral das Atividades Culturais (Relatório da Atividade Tauromáquica de 2015) e alguns artigos do jornal Público.


Selecionada a informação necessária, era preciso organizá-la de forma inteligente e visualmente agradável. Como elemento essencial da infografia, queria ter um touro que, à partida, atrairia todos os interessados pelo tema à leitura da restante informação. Assim, a escolha foi usar a técnica low poli – usada anteriormente na proposta número um; aqui, o desenho não foi contruído apenas com triângulos, mas com outras formas geométricas, através da ferramenta pen tool no Adobe Illustrator. Outro elemento que teria muita importância na infografia seria o título “Queda da tradição tauromáquica em Portugal”. Foi escrito com a fonte Giant Background, pelo impacto que lhe está, a meu ver, associado. Abaixo do título, foi incluído um pequeno texto quase com a função de lead, com o objetivo de introduzir a restante informação.

A informação propriamente dita foi inserida em pequenos círculos, cujo tamanho dita a sua importância. Com esta lógica, foram desenhados três círculos maiores e dois círculos menores, associados a um dos círculos grandes. Para complementar esta informação, foi incluído um mapa de Portugal, com as ilhas, de que iriam depender dois círculos. O mapa tem como objetivo indicar as cidades portuguesas que deixaram de financiar a atividade tauromáquica, tendo reduzido, portanto, a probabilidade de continuarem os espetáculos, mas também indicar que, nos Açores, o Bloco de Esquerda sugeriu a proibição de espetáculos que impliquem o sofrimento e/ou morte de animais. Esta associação foi estabelecida através de uma seta, que guia o leitor a observar o mapa depois de ler a informação ou vice-versa. Os restantes círculos têm uma seta para o touro. Esta foi a forma mais simples e eficaz de organizar visualmente a informação disponível.

Parece-me que todos os elementos foram integrados e relacionados de forma inteligente e visualmente agradável. O principal receio aquando da realização desta proposta era a existência de demasiada informação e demasiados elementos gráficos que dificultassem a compreensão por parte do leitor – este receio surgiu aquando da recolha de infografias, sendo que, muitas delas se apresentavam, efetivamente, confusas.

A elaboração desta composição gráfica foi simples em relação às propostas anteriores, sendo que o maior desafio era a inclusão e organização da informação.

A maior parte do tempo de elaboração desta proposta foi dedicado à recolha de informação que, como referido anteriormente, se revelou um processo difícil pela natureza do tema escolhido. O Relatório de Atividades Tauromáquicas de 2015 implicou uma análise profunda e demorada, sendo que a diminuição de espetadores, por exemplo, não era evidenciada. Só uma análise cuidada permitiu chegar a essas conclusões. Por outro lado, a informação disponibilizada pelo jornal Público era muito clara e objetiva.

O aspeto mais positivo desta proposta é a perceção de que a infografia é muito útil no trabalho jornalístico, essencialmente, no jornalismo online. No entanto, durante a realização desta proposta, encontrei algumas infografias em jornais. No fundo, é uma forma muito eficaz para que a informação chegue a um maior número de pessoas.

Nesta proposta uma dificuldade presente foi a necessidade de manter a objetividade e imparcialidade, sendo que não gosto destes “espetáculos”, nem do sofrimento aos animais que lhes estão subjacentes. Penso que, ainda assim, consegui distanciar-me e deixar que os dados falassem por si.

Posso dizer que estou satisfeita com a minha terceira e última proposta. Pretendia criar uma infografia dinâmica e atual, característica do século XXI. Inicialmente, tive alguma dificuldade nesse sentido: a informação parecia-me estática. O resultado foi uma composição diferente do habitual, mais simples até, mas que me agrada e que se adequa ao tema escolhido. 

domingo, 15 de maio de 2016

Memória descritiva #2

No âmbito da Unidade Curricular Design e Comunicação Visual, foi desenvolvido o projeto que aqui é descrito – a elaboração de uma composição tipográfica realizada com base num texto de um artigo ou notícia, recorrendo apenas a elementos tipográficos.
A palavra tipografia é oriunda do grego typos (forma) e, segundo Ribeiro (1998), a Tipografia é definida como “a arte de produzir textos em tipos, isto é, carateres. Ou ainda a arte de compor e imprimir em tipos.” Foi precisamente esse o desafio desta proposta de trabalho: compor em tipos.
Foi escolhida uma notícia publicada pelo P3. Note-se o título “Se o mundo se tornasse vegan oito milhões de vidas podiam ser salvas”. A escolha desta notícia em particular prende-se com a minha vontade de divulgar os benefícios de uma dieta alimentar onde não exista carne nem peixe, não só para a humanidade - sendo que “uma dieta vegan podia evitar a morte de 8,1 milhões de pessoas por ano até 2050”, mas também para a economia e ambiente. Todas as informações divulgadas por esta notícia são conclusões de um estudo realizado pela Universidade de Oxford. A notícia em questão pode ser lida na íntegra através da seguinte hiperligação: http://p3.publico.pt/actualidade/ambiente/20001/se-o-mundo-se-tornasse-vegan-oito-milhoes-de-vidas-podiam-ser-salvas.

Elegi algumas palavras-chave para tornar mais simples a elaboração da composição gráfica tendo em conta as ideias principais do texto em questão.
Vegan | Universidade de Oxford | Vidas | Esquecimento dos vegetais | Privilégio dado à carne | Vida sustentável | Benefícios | Economia e Ambiente

O desafio passava por criar uma composição que visualmente sugerisse a mensagem presente na notícia. Foi escolhida a imagem de um brócolo, que serviria de imagem-base para trabalhar no Illustrator. Mas… porquê um brócolo? Este legume é frequentemente associado à dieta vegetariana e vegan, pela sua constituição: é uma excelente fonte de proteína vegetal – substituto da carne, mas também uma fonte de cálcio – substituto dos lacticínios. Esta associação justifica, pois, a minha escolha. Além deste elemento, pensei introduzir na composição visual uma mancha de sangue, alusiva aos 8,1 milhões de vidas que poderiam ser salvas se o mundo se tornasse vegan. Acontece que visualmente não se enquadrava, pelo que optei por não incluir este elemento.

O projeto

Concluído um breve esboço da composição visual que pretendia realizar, o projeto passou por iniciar a composição no programa Adobe Illustrator CS6. Sendo esta a proposta número 2, já havia adquirido alguns conhecimentos do programa, embora primários. No entanto, nunca havia criado nenhuma composição tipográfica, pelo que descobrir a melhor forma de o fazer foi desafiante.
Em primeiro lugar, foi introduzida no programa a imagem-base (um brócolo) e, para facilitar o enquadramento dos tipos no espaço da imagem, usei a opção “traçado da imagem”, que me permitiu obter apenas os principais traços do brócolo. No fundo, esta opção permitiu uma maior eficácia aquando da criação da composição tipográfica.
Quanto às fontes utilizadas, depois de ter começado o trabalho com aquelas que o Illustrator disponibiliza, pareceram-me escassas. Assim, descarreguei da Internet um pack onde constam as 100 melhores fontes, entre as quais estão Helvetica, Garamond, Frutiger, Bodoni, Futura, Times, Gill Sans, Minion, Myriad, Didiot, entre muitas outras. Entre todas as fontes descarregadas e as que o programa disponibiliza, nesta composição tipográfica é visível quais as fontes que mereceram maior destaque – encontram-se com as ideias principais da notícia e em tamanho maior. É o caso da Castellar, Engravers, Giant Background, Bookman Old Style, Helvetica e ainda Times New Roman. Foram utilizados, então, tipos com e sem serifa, clássicos e modernos, na versão original ou compressed. Aquando da realização da recolha fotográfica apercebi-me de que a mistura entre vários tipos de fontes, muitas vezes completamente distintas, funciona. Acabei por transpor essa ideia para o projeto que aqui é descrito. Esta combinação acaba por conjugar vários aspetos das fontes: “the emotive, pictorial, poetic or pragmatic sense of the font.” (Type Classification by Jacob Cass).
É importante ainda referir como foram colocadas as fontes. Inicialmente, havia tentado algumas opções - adaptar o texto ao espaço através da opção “distorção de envelope” ou criar o contorno das linhas, desagrupar e ajustar letra a letra ao espaço pretendido. Apesar de todas as opções encontradas, a utilizada nesta proposta foi a colocação de texto numa linha desenhada consoante as necessidades, através das ferramentas “tipo no caminho” e “tipo no caminho vertical”. Esta foi a opção escolhida pelo facto de manter a tipografia tal como foi concebida, isto é, as outras opções referidas adaptavam o texto ao espaço pretendido através da distorção, acabando por desvirtuar a essência das fontes – muitas das vezes não é sequer possível identificar se se trata de uma fonte Times New Roman ou Bodoni, por exemplo.

Conclusão

Aquando da receção desta proposta, o meu principal receio era o facto de não existir um tema pré-definido – passei vários dias concentrada nesse aspeto, à procura de um tema que me permitisse trabalhar com satisfação, até que vi o artigo do P3.
A elaboração da composição tipográfica foi muito demorada, por se tratar de algo tão minucioso e, consequentemente, trabalhoso. Visualmente, parecia que precisava sempre de mais texto para formar o brócolo, o que aumentou também o tempo de elaboração desta proposta.
Como aspetos positivos é de mencionar a perceção de que a tipografia está em todo o lado – desde simples cafés, folhetos e cartazes, a uma sala do ginásio, uma embalagem de comprimidos ou outro produto qualquer. Atualmente, quase tudo contém tipografia e trabalhada de uma forma visualmente atrativa.
Penso que a mensagem da notícia escolhida é transmitida através da proposta desenvolvida, proposta essa que foi ao encontro das minhas expectativas.
Estou, efetivamente, satisfeita com o meu trabalho mas reconheço a dificuldade de utilizar apenas a tipografia numa composição visual. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Et voilá

Eis o resultado final!

Tipografia all over

Ora, com a proposta 2, apercebi-me que, de facto, a tipografia está mesmo all over (em todo o lado). Constatei-o essencialmente através da minha recolha fotográfica que hoje publico aqui. Algumas das imagens foram conseguidas com o meu telemóvel e, por isso, a qualidade não é fenomenal. 





Casa dos Doces Conventuais, Arouca

Convento de Arouca


Fotografia tirada de uma revista. Achei interessante a conjugação de diversas fontes. 


Calçada do Monte, Alpendurada

Travessa do Outeiro, Alpendurada


Inscrição no Convento de Alpendurada

Parque de Monção

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Imagens - base




Proposta número 2

Terminada a proposta número 1, eis que surge a proposta número 2.
Com o objetivo de criar uma composição tipográfica, escolhi o seguinte artigo:

http://p3.publico.pt/actualidade/ambiente/20001/se-o-mundo-se-tornasse-vegan-oito-milhoes-de-vidas-podiam-ser-salvas

Motivos que me levaram a escolher este artigo:

  • Divulgar os benefícios das dietas vegetariana e vegan;
  • Focar-me num tema do meu interesse;
  • Ter sido publicado pelo P3, instalado no pólo de Ciências da Comunicação; 
  • Várias possibilidades de interpretação;
PALAVRAS-CHAVE: Vegan | Universidade de Oxford | Vidas | Esquecimento dos vegetais | Privilégio dado à carne | Vida sustentável | Benefícios | Economia e Ambiente 

quinta-feira, 17 de março de 2016

Memória descritiva


Proposta de trabalho número 1

No âmbito da Unidade Curricular Design e Comunicação Visual, foi desenvolvido o projeto que aqui é descrito – a elaboração de uma composição gráfica para a capa de um CD e para a comumente designada “bolacha”.


Não havendo um tema pré-definido, esse estaria aliado a uma música, à escolha de cada discente. A partir dessa música, seria então desenvolvida uma composição gráfica. É relevante, antes de mais, enunciar a música escolhida para este projeto – when we dream, Atma. Sendo uma música de transe, relaciona-se imediatamente ao sonho, ao mundo onírico e ao entrar em “estado de transe”, isto é, o ser humano, quando ouve este tipo de música – bem como noutras situações – desliga-se do mundo real, das suas condições externas e internas e experimenta um estado de consciência alterado, caracterizado pela suspensão dos sentidos. No fundo, experimenta um mundo diferente, ao seu gosto, envolto nos seus pensamentos. Esta associação pode explicar-se pela composição das músicas - ritmos acelerados, quantidade de batidas por minuto, a letra, entre outros aspetos. Note-se que só o título da música escolhida remete para o sonho – when we dream (quando nós sonhamos). Em geral, a maioria das canções são calmas e de efeito lento e constante na energia-alma e no estado de pensamento. A tradução literal do termo trance para português é transe. O nome foi recebido devido às batidas repetitivas e pelas melodias progressivas características, que levam o ouvinte a um estado de transe, de libertação espiritual, enquanto ouve.
O projeto

No momento da receção da proposta de trabalho, a primeira etapa a realizar foi o esboço em papel – o momento crucial. “O processo de composição é o passo mais crucial na solução dos problemas visuais. Os resultados das decisões compositivas determinam o objetivo e o significado da manifestação visual e têm fortes implicações com relação ao que é recebido pelo espetador.” (Dondis, Donis A. 2003:29).
 Concluído o esboço, o trabalho passava por começar o projeto no programa Adobe Illustrator CS6. Nesse momento, não havia tido qualquer contacto com o programa, pelo que foi, efetivamente, um desafio. Seguiram-se inúmeras experiências – momento que designo de “tentativa-erro”. Uma das experiências foi o desenho com ponto. Acontece que o resultado não foi o esperado. Depois seguiu-se a técnica com os triângulos que, a priori, também não resultou. A escolha da forma triangular explica-se por estar frequentemente associada ao transe. No maior festival português deste estilo musical – boom festival – é mais do que evidente a presença desta forma. No blogue onde consta este projeto estão presentes algumas imagens que atestam isso mesmo. Entre experiências e pesquisas, descobri que esta técnica é conhecida como low poli, consistindo no desenho de triângulos cujos vértices encaixam formando uma determinada figura. Com esse objetivo, foi selecionada uma imagem da web, incluída numa layer, sobre a qual se desenharam os triângulos através da ferramenta pen tool. Conseguidos os triângulos, eram interseccionados através dos vértices com a ferramenta seleção rápida e assim o rosto ia ganhando forma. Triângulo a triângulo, o processo foi sendo concluído. A mesma técnica se aplicou à “bolacha” no desenho das letras. Neste caso, foram desenhadas as palavras “WHEN WE DREAM” através da ferramenta type e, em seguida, triângulo a triângulo, as letras ganharam o mesmo aspeto do desenho, conseguido assim, uma uniformidade nos dois elementos do projeto – capa do CD e área circular, designada comumente “bolacha”.
Ora, a composição gráfica não se limitou a ser um rosto composto por triângulos nem o nome da música escolhida constituída da mesma forma. Acontece que ambas as figuras acabam por se decompor: no caso do rosto, a partir do cimo da cabeça e, no caso das letras, a partir do cimo das letras. Esta espécie de decomposição diz respeito ao momento de “entrar em transe”, isto é, de evasão que o rosto em questão experimenta, em virtude da música que ouve, a música que dá corpo a este projeto. Também por este motivo se explica que o rosto tenha os olhos fechados: fechar os olhos é o comportamento primário para o ser humano se distanciar da sua realidade. Note-se o significado da expressão mencionada –

 fechar os olhos, fazer vista grossa (Portugal), rejeitar, brush-off (en) - disregard, neglect (en) - dismissive (en), pôr de lado, desconsiderar, ignorar.

Em suma, é a recriação do momento em que um indivíduo se entrega à música que ouve, alheando-se da realidade e experimentando um mundo novo, distanciando-se do mundo real. No caso da “bolacha”, também as letras se decompõem à semelhança do que se verifica com o rosto com o objetivo de uniformizar os dois elementos do projeto, criando dois elementos harmónicos. 
Outro aspeto que carece de explicação é a paleta de cores escolhida. Em primeiro lugar, era objetivo fundamental que o desenho, apesar de ser construído por triângulos, se parecesse com um rosto humano. Simultaneamente, esta composição gráfica estava subordinada ao tema “entrar em transe” tendo em conta a música escolhida, pelo que era fulcral que a paleta cromática refletisse o espírito do transe. Regra geral, os videoclips deste género musical têm múltiplas cores, sempre de tons fortes – roxo, amarelo, azul, verde, vermelho, etc, combinadas, frequentemente, com o objetivo de criar ilusões de ótica, padrões e alguns elementos frequentes no transe. Note-se a figura 3. Assim, neste projeto consta um equilíbrio entre as cores que caracterizam o rosto humano – várias tonalidades de rosa, beges, amarelos; e alguns apontamentos de cores fortes, associadas ao estilo musical em questão. O desafio foi precisamente encontrar este equilíbrio, sem que o rosto esmorecesse demasiado ou, pelo contrário, se tornasse demasiado extravagante. No caso da “bolacha”, em termos cromáticos, a preocupação incidiu em equilibrar as cores àquelas que haviam sido utilizadas na capa do CD. No final, esse aspeto parece ter sido conseguido, sendo que os dois elementos combinam perfeitamente.

Elementos básicos de comunicação visual 

Neste projeto estão presentes alguns elementos básicos da comunicação visual, a saber: a forma, a cor (já mencionada acima) e a dimensão. No caso da forma, a que está claramente presente neste projeto é o triângulo, uma das três formas básicas (quadrado, círculo e triângulo). A sua escolha foi já justificada – deve-se à sua constante presença no mundo do transe. Note-se também que “A partir de combinações e variações infinitas dessas três formas básicas, derivamos todas as formas físicas da natureza e da imaginação humana” (DONDIS, Donis A. 1991:54). No caso da dimensão, há a referir que é, efetivamente, um aspeto fundamental neste projeto por se tratar da reprodução de um rosto humano. Assim, diz-nos o autor anteriormente citado que “Os efeitos produzidos pela perspetiva podem ser intensificados pela manipulação tonal, através do claro-escuro, a dramática enfatização de luz e sombra”. No fundo, é a relação entre dimensão e cor que permitem a interpretação da composição gráfica que nasce com este projeto.

Técnicas de comunicação visual

As técnicas de comunicação visual são enumeradas por Donis A. Dondis no seu livro A sintaxe da linguagem visual. Neste projeto especificamente, estão presentes as seguintes: unidade, fragmentação, profusão e espontaneidade. A unidade diz respeito a diversos elementos formando uma totalidade como se atesta pela presença dos triângulos a formar um rosto humano, conferindo à composição gráfica equilíbrio e harmonia. Já a fragmentação diz respeito à decomposição de elementos de um conjunto e esta técnica é, também, fácil de identificar neste projeto. Afinal, a palavra “decomposição” já foi referida nesta memória descritiva várias vezes aquando da explicação do projeto aqui descrito. À fragmentação associam-se termos como movimento, estímulo e variedade que não podiam ser mais visíveis neste projeto em concreto. A esta técnica alia-se a profusão descrita como “detalhamento visual de formas básicas” o que nada mais é, neste projeto em concreto, do que fragmentação de um rosto humano em triângulos, uma das formas básicas. Finalmente, é visível ainda a espontaneidade - essencialmente nos triângulos soltos oriundos do rosto humano no caso da capa e da frase “when we dream” no caso da bolacha que não formam nenhuma figura, podendo essa parte da composição gráfica ser considerada como “impulsividade, liberdade, movimento” às palavras de Donis A. Dondis.
Leis da Gestalt

Baseados numa série de experiências, os psicólogos da Gestalt descobriram diversas leis da perceção que são comuns à grande maioria das pessoas. Duas delas encaixam perfeitamente no projeto descrito neste documento. Estas leis são explicadas na perfeição no livro Gestalt do Objeto: sistema de leitura visual da forma, de João Gomes Filho.
·       Unidade
É, comumente, definida como um ou mais elementos que constituem um objeto. É o caso da composição gráfica criada através da música “when we dream”. Há um rosto humano constituído através da forma triangular – ou seja, através de um conjunto de elementos é formado um objeto concreto.

·       Fechamento
Por fechamento entende-se a criação de uma ordem espacial, conseguida através das forças de organização visual. Ou seja, com a continuidade de determinados elementos obtém-se a sensação de fechamento visual. Isto é conseguido, em parte, pela capacidade de memória visual e pelo reportório cultural de cada indivíduo. No caso deste projeto, o elemento desenhado é um rosto humano, pelo que é de fácil reconhecimento. Através de um sem número de triângulos dispostos numa ordem estrutural definida consegue-se que seja identificado um rosto humano.
Aquando da receção desta proposta, o meu conhecimento na área do Design era quase inexistente pelo que as expectativas quanto a este projeto eram relativamente baixas. Acontece que a escolha da música foi um aspeto favorável na medida em que impulsionou a imaginação e criação da composição gráfica. De facto, when we dream, de Atma, foi uma boa aposta.
Quanto à composição gráfica propriamente dita, foi extremamente minuciosa e, consequentemente, trabalhosa. Ao longo de dois dias, o rosto humano foi ganhando forma num programa do qual não tinha conhecimento absolutamente nenhum, por isso consistiu num sistema de tentativa-erro até que o resultado fosse do meu agrado. Isso, efetivamente, aconteceu. O Adobe Illustrator CS6 é um programa excelente para este tipo de projetos, pelo que é uma mais-valia daqui em diante.
O resultado final superou as expectativas que, como mencionado, eram inicialmente baixas tendo em conta a falta de experiência não só na área do Design como também nos programas que o servem. Assim, parece-me que foi conseguida uma composição gráfica alusiva à música escolhida: não sendo uma associação óbvia, pois implica uma reflexão por parte do observador, é uma associação possível com um sentido lógico bem definido.
Poderia, até, ser feito um dicionário relacionado com o projeto constituído por palavras-chave: when we dream, sonho, decomposição, fragmentação, unidade, alheamento.
Foi, efetivamente, um projeto prazeroso. 

Recolha fotográfica

Divulgo agora a recolha fotográfica realizada com o intuito de conhecer os elementos básicos da comunicação visual, as técnicas da comunicação visual e ainda as leis da gestalt.
Linha

Cor 

Linha



Textura - musgo numa oliveira

Linha

Simetria - a sombra das grades retas cria linhas simétricas

Espontaneidade - A sombra da grade a incidir nas escadas não foi planeada, tendo visualmente um ar característico de falta de planeamento

Ousadia - Apesar do desenho estar já danificado pela chuva, achei interessante fotografá-lo ainda assim, por refletir na perfeição a técnica visual referida: a disposição dos objetos desenhados são, de facto, uma ousadia, bem como as cores e o movimento existente entre eles.

Dimensão - Esta técnica de comunicação visual é notória na medida em que, através do ponto de fuga é conseguida uma noção da dimensão destes azulejos que, na verdade, não têm profundidade absolutamente nenhuma. A cor é também importante nesta fotografia tendo em conta que "os efeitos produzidos pela perspetiva são intensificados pela manipulação tonal, através do claro-escuro, a dramática enfatização de luz e sombra". (Dondis, Donis A.)

Unidade - O conjunto de azulejos forma uma unidade na medida em que o padrão presente num só azulejo só é completado quando encaixado com outros azulejos, formando então um padrão, uma unidade.

Textura - Notável até através da visão

Desiquilíbrio - Convivência de um conjunto de azulejos (clássico) e um graffitti sobreposto que destoa no padrão criado, não só por se tratar de arte contemporânea mas também e, essencialmente, pelo "ruído" visual que causa

Cor

Dimensão - O facto de a foto ter sido tirada com a lente junto do ponto mais alto para o chão (cima>baixo) faz com que as manchas pareçam maiores junto à lente e menores no fundo, ou seja, está presente a perspetiva